segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

poema à cabeceira

comecei assim,
a escrever sobre as nossas noites
sobre dois corpos apaixonados
numa idade em que nos diziam
que não sabíamos o que isso era.

saberiam eles?
saberiam sussurrar à noite
enquanto todos dormem
tudo em ti é tão bonito...?

saberiam gemer e tremer
deixar o corpo à solta
enrolar as pernas e os braços
as línguas e os dedos
ansiar pelo final
implorar pelo final...?

mal sabiam eles que o teu corpo não se esgota
que as tuas mãos abarcam os meus seios
enquanto a tua boca brinca
com as palavras, junto à minha orelha

ninguém sabia que os teus ombros
foram feitos à medida das minhas costas
e quando me abraças, os teus dedos
exploram o terreno fértil
que um dia dará fruto.

Sem comentários: