recuamos e perdemos o que nos tornou humanos
as mãos, os dias, a luz
incendiavas o mundo à tua volta
todos os seres vivos, todos os objectos
o vizinho da frente, o santo no altar
queimas mais que a beata a tocar a pele
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
terça-feira, 28 de março de 2017
quarta-feira, 22 de março de 2017
madrugada
quando pousei a minha mão
juro que senti mexer
creio que vivia
apesar do sangue
tinha a certeza que existia.
por isso agarro a pele
arranho as pernas
à espera do futuro
e andas às voltas
dentro de mim.
juro que senti mexer
creio que vivia
apesar do sangue
tinha a certeza que existia.
por isso agarro a pele
arranho as pernas
à espera do futuro
e andas às voltas
dentro de mim.
terça-feira, 7 de março de 2017
dias solarengos
diziam que danificar e estragar não são sinónimos. não sabem o que são sinónimos.
diziam que não há intenção. não sabem o que é a intenção.
às vezes basta um toque, encostar sem querer, aproximar-se demais. chega para cobrir de nódoas negras. mesmo sem intenção.
vamos remendando, arranjando maneiras de disfarçar os danos enquanto não chega o dia de repará-los.
em processo de restauro, como os livros que se desfazem. cheia de nódoas negras, e algumas doem bastante, mas pronta para sarar. limpando o veneno que ficou, estabelecendo prioridades, focando no bom e esquecendo-me de vós (de ti?).
diziam que não há intenção. não sabem o que é a intenção.
às vezes basta um toque, encostar sem querer, aproximar-se demais. chega para cobrir de nódoas negras. mesmo sem intenção.
vamos remendando, arranjando maneiras de disfarçar os danos enquanto não chega o dia de repará-los.
em processo de restauro, como os livros que se desfazem. cheia de nódoas negras, e algumas doem bastante, mas pronta para sarar. limpando o veneno que ficou, estabelecendo prioridades, focando no bom e esquecendo-me de vós (de ti?).
quarta-feira, 1 de março de 2017
não sei, março?
na madrugada surgiu um poema. rimava ti com esqueci - eu sei, cliché.
saí de casa. outro poema que ainda era sobre ti. já não sei quais as palavras ditas pela minha vozinha. perdi... perdi os poemas que te dediquei. esqueci-me deles entre os lençóis da cama e as paredes sujas de benfica. prometi-me que traria um caderninho na mala, para apontar estas ideias soltas mas os pássaros existem para voar e quando os aprisionamos perdem a alegria... deixam de cantar, acaba-se a liberdade e a espontaneidade, a loucura de andar à deriva sem ter de haver sentido. perder-se, perdermo-nos. não ter casa, não ter grades, não haver folhas. sair de um só jorro. ser vida a escorrer pelo corpo. é assim que importa escrever, cantar, amar (ou foder, em bom português)... perdendo.
saí de casa. outro poema que ainda era sobre ti. já não sei quais as palavras ditas pela minha vozinha. perdi... perdi os poemas que te dediquei. esqueci-me deles entre os lençóis da cama e as paredes sujas de benfica. prometi-me que traria um caderninho na mala, para apontar estas ideias soltas mas os pássaros existem para voar e quando os aprisionamos perdem a alegria... deixam de cantar, acaba-se a liberdade e a espontaneidade, a loucura de andar à deriva sem ter de haver sentido. perder-se, perdermo-nos. não ter casa, não ter grades, não haver folhas. sair de um só jorro. ser vida a escorrer pelo corpo. é assim que importa escrever, cantar, amar (ou foder, em bom português)... perdendo.
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