terça-feira, 31 de maio de 2016

I'm broken when I'm open

Em constante sobressalto com a falta de filtro. Não sei como me fechar, se me quero fechar, não vivo no mundo virtual, estou aqui, sou de carne e osso e tremo. Não sei como reagir. Se me entrego demasiado, há sempre uma voz que me avisa. Já foste por esse caminho, já gostaste demasiado, já confidenciaste demasiadas coisas. Depois fico magoada. É assustador não ser capaz de me expressar.


No outro dia uma pessoa pedia-me boleia. Aceitei guiá-la mas não sei para onde. Avisei-a eu não sei conduzir. Eu não sei conduzir. Ela veio a medo, mas entrou. As minhas mãos tremem, eu não sei o caminho mas imagino onde vou parar. Tenho sempre este hábito de adivinhar a chegada mas não saber lidar com a partida. Não existe ponto A e ponto B e uma viagem em linha recta. Eu já sei onde está o ponto B da história.  É como se escrevesse a conclusão sem ser capaz de rabiscar uma introdução e um desenvolvimento. 

domingo, 29 de maio de 2016

if you still care, don't ever let me know

quando surges nos meus sonhos (pesadelos...?) a tua imagem é sempre tão nítida. consigo distinguir perfeitamente os contornos da tua face, ver a cor dos teus olhos, examinar cada expressão enquanto falas. nada disto seria estranho se ao estar acordada conseguisse ver-te com a mesma nitidez; mas a imagem que perdura na minha memória não passa de uma névoa, de uma silhueta cada vez mais distante a cada ano que passa.

tenho este estranho costume de não gravar a imagem de quem gosto. tenho sempre esta sensação de surpresa, de ver um rosto pela primeira vez. talvez porque a timidez me impede de fixar o olhar na alma que está perante mim. talvez porque quero lembrar-me de todas as palavras, quero agarrar todas as letras daquilo que dizes e não a tua imagem.

não quero contar os dias para te ver.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

oh no, I see, a spider web and it's me in the middle

na mesma teia
que tentei desfazer
com lágrimas e poemas
e do que ficou renasceste.
dizes "nada temas"
mas as palavras são as mesmas
e eu fujo sempre.


quinta-feira, 19 de maio de 2016

we're just two lost souls swimming in a fish bowl

para simplificar imaginei que tinha um aquário. coloquei quatro peixes. agora tenho apenas três.
é inevitável que desapareçam porque eu sou isto. passo o tempo a pensar, a observar, a ansiar o momento de voltar ao aquário. quando falo despejo demasiado. não sei fazer outra coisa senão agradecer. eu sou isto e tenho sempre de acarinhar quem se aproxima. 
ainda não saí do carrossel e não sei onde isto me vai levar. não sei se quero um aquário, não sei se quero peixes, não consigo estar em paz comigo. estou magoada comigo. desiludida.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

voltar a escrever sobre ti...

... é mais complicado do que parece.
baloicei durante muito tempo entre o querer falar contigo e o querer afastar-me. ergui todas as muralhas à minha volta. dizias que não querias quebrar a couraça. eu começo a perceber que a minha armadura é muito fraca. não é à prova de certas palavras, nem de certos gestos.
pensei durante muito tempo noutras amizades. senti cada golpe como se tivesse acontecido hoje.
não há muitas pessoas especiais numa vida só.
eu não sei o que fazer a este nó na garganta.
o que interessa é que agora vejo outra pessoa.
deixei de me escutar. é tão fácil mentir-me. convencer-me do pior. inundar os olhos de mágoa e mergulhar na depressão.
agora já sabes que tens aqui lugar cativo.

sábado, 14 de maio de 2016

amor

estás a dormir ao meu lado
quem te vir agora, calmo, a respirar lentamente
não imagina as horas que passaste comigo

não imagina o teu corpo em fogo
não imagina os teus braços apertados
nem as tuas mãos entrelaçadas nas minhas

apertas o meu corpo contra o teu
e deixas as lágrimas caírem
molham a tua cara
escorrem pela minha face até ao meu peito
e sabes que sou tua


sexta-feira, 13 de maio de 2016

ce n'est rien qu'une main dans une autre main

continuo neste carrossel de emoções. preciso de parar de me preocupar.
mas sinto-me tão grata. e pergunto-me muitas vezes o que é que eu fiz de bom, para de repente ter tantas pessoas tão queridas à minha volta.

a memória ainda é um obstáculo. acho que me repito de cada vez que escrevo.
não quis deixar que os pormenores me afectassem, porque me fazes bem, mas já fui magoada assim.

hoje fui trabalhar com um sorriso. e um nó na garganta.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

o que é que eu faço com as palavras?

nas últimas semanas tenho ouvido em repeat as músicas que me recordavam a tua existência. não sei o que aconteceu, desculpa, mas agora quando as oiço não apareces. desapareceste.
eu vi o mesmo caminho à minha frente, e é díficil escutar outra coisa que não mágoa quando já sabemos para onde vamos.
como é que vai ser quando te vir? ainda vai existir alguma coisa? para onde foi o carinho? o que fazer das palavras que abandonaste, o que fazer da mágoa que me deixaste para gastar noutra pessoa, o que fazer das lágrimas?


domingo, 8 de maio de 2016

contradição

não tenho nada para te dizer.
quero muito falar contigo, sempre, sobre tudo. sobre os dias presentes, os passados, sobre o futuro... sobre o que me atormenta e o que me alegra, e portanto, como vês, tenho muito para te dizer.
quero muito abraçar-te, agradecer-te por todas as palavras, por todo o carinho e pedir que me perdoes por me deixar afectar por tanta coisa.

e quero que saibas que existem muitas pessoas especiais, muitas pessoas carinhosas, muita gente bondosa por esse mundo fora (e eu tenho sido uma sortuda por ter tantas à minha volta), mas continuo surpreendida e completamente embevecida contigo.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

retorno

C., lembras-te do que me disseste há dez anos?
As tuas palavras estão a ser repetidas. Vê só, eu não as consigo ouvir sem ficar magoada. Sem desconfiar. Sem me afastar.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

trinta de outubro, dois mil e quinze

escureceu em lisboa
mas as luzes não deixam os olhos descansar
e eu vou observando a correria
de mais um dia a acabar
se tudo o que um homem precisa é de um café e um cigarro
onde está a paz dos dias passados?
em que lugar, ao qual eu não consigo chegar...?
essas palavras estão marcadas
embebidas nas memórias nubladas
fechadas num temp(l)o longínquo.
são o mar profundo, escuro como breu
a falta de oxigénio, a ausência da claridade
o reflexo turvo, nessas águas, do antigo eu.

domingo, 1 de maio de 2016

dezassete de junho, dois mil e doze

Sei bem o que faz sentir a falta de alguém. Eu não quero nada porque sei que a ausência e a distância encarregaram-se de bloquear o poço dos desejos.
Sei bem o quanto me fazes falta. Mas só esporadicamente. Só nos dias maus. Só nos dias muito bons.
Houve um dia, que era noite, em que o cansaço tomou conta de mim. Houve uma noite, ainda de dia, em que eu confrontei o meu maior medo desconhecido e tremi sem saber porquê.
No epílogo da história lá apareceste. Vinhas excepcionalmente bonita, qual encanto tardio. São os mistérios da idade.
Eu confesso que te procurei. Sou culpada por querer mais do que posso ter. Procurei alguém que já não conheço, num sítio inadequado, à hora errada. Procurei aquele teu ar compreensivo para sentir que alguém me entendia.
Que egoísta da minha parte!
Tenho que dizer-te que sinto muito a tua falta. Se lá estivesses quando me senti saturada e triste e deprimida e sabe-se-lá-bem-mais-o-quê teria mudado alguma coisa?
Sim, espero que sim.

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[estamos em maio e eu não quero mais escrever-te. quando penso que ainda tenho de te ver fico aterrorizada. vou inventando justificações para o embate, eu não consigo acreditar em nada, e ainda falta tanto para o final.]