c.,
é verdade. mesmo depois de tudo o que apaguei ainda tenho coisas tuas. às vezes oiço a tua voz, o que é estranho porque dantes nunca sabia bem como era. às vezes ainda te leio nas palavras que guardei. tínhamos laços. e eu gostava mesmo muito muito de ti.
agora tenho um bloco do principezinho para anotar as minhas coisas. deram-mo, sabes que detesto o principezinho.
é muito amargo anotar o que quer que seja num bloco assim. depois dos laços.
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
domingo, 22 de outubro de 2017
pity party
nem um sussurro que seja
qualquer ventania
qualquer janela
eu tapo os olhos com as mãos
tão frágeis
que te escreveram palavras
tão frágeis
que te revelaram um coração
tão frágil.
nem um verso solto por aí
num qualquer poema
em qualquer taberna
nem a tua cara num maço
que avise toda a gente
tu matas.
qualquer ventania
qualquer janela
eu tapo os olhos com as mãos
tão frágeis
que te escreveram palavras
tão frágeis
que te revelaram um coração
tão frágil.
nem um verso solto por aí
num qualquer poema
em qualquer taberna
nem a tua cara num maço
que avise toda a gente
tu matas.
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
...
o autocarro em que eu estava colidiu com o da frente e as pessoas todas saíram.
não vale a pena esperar, agora ficamos aqui empatados
sinto que há aqui uma mensagem que eu não sei captar
não vale a pena esperar, agora ficamos aqui empatados
sinto que há aqui uma mensagem que eu não sei captar
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
do nada
escrevesse eu sobre a consistência da gelatina
e as camadas de fruta
e a cobertura de chantilly
sobre o preço a pagar por todas as camadas
mais ou menos coerentes
mais ou menos aceitáveis
destes dois anos.
escrevesse eu sobre o fiat
encostado à beira do jeremias
que, na melhor das hipóteses, conduziria
um carro frágil de esferovite às bolinhas.
se eu escrevesse com pés e cabeça
e, já agora, mãos e coração
poderia ter mais que um não
(até rimei).
e as camadas de fruta
e a cobertura de chantilly
sobre o preço a pagar por todas as camadas
mais ou menos coerentes
mais ou menos aceitáveis
destes dois anos.
escrevesse eu sobre o fiat
encostado à beira do jeremias
que, na melhor das hipóteses, conduziria
um carro frágil de esferovite às bolinhas.
se eu escrevesse com pés e cabeça
e, já agora, mãos e coração
poderia ter mais que um não
(até rimei).
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