quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

15 dias

hoje sentei-me em frente a uma senhora que vinha a chorar no metro. um nó na garganta, uma vontade súbita de a abraçar, de chorar com ela, de dizer que vai tudo ficar bem, quando nem sei se eu ficarei bem.
o chapéu de chuva fez-me dois arranhões na mão direita e eu contemplei-os desde a manhã. parecem guelras. será coincidência? é o meu corpo a pedir para respirar depois destas noites de choro?
não me doeram e só me apercebi que os tinha quando vislumbrei duas marcas vermelhas até então desconhecidas.
hoje falei dos meus arranhões e doeu bastante. reparei que passo metade do tempo a sorrir, mesmo quando estou a relatar episódios tristes. não chorei mas a minha voz tremeu e se o meu número não tivesse sido chamado 5 minutos depois de lá chegar, provavelmente tinha fugido. da verdade. é o que eu faço.
mais 15 dias. mais duas semanas de confronto comigo.

FBAUL, 2017


Sem comentários: