Em constante sobressalto com a falta de filtro. Não sei como
me fechar, se me quero fechar, não vivo no mundo virtual, estou aqui, sou de
carne e osso e tremo. Não sei como reagir. Se me entrego demasiado, há sempre
uma voz que me avisa. Já foste por esse caminho, já gostaste demasiado, já
confidenciaste demasiadas coisas. Depois fico magoada. É assustador não ser
capaz de me expressar.
No outro dia uma pessoa pedia-me boleia. Aceitei guiá-la mas
não sei para onde. Avisei-a eu não sei
conduzir. Eu não sei conduzir. Ela veio a medo, mas entrou. As minhas mãos
tremem, eu não sei o caminho mas imagino onde vou parar. Tenho sempre este
hábito de adivinhar a chegada mas não saber lidar com a partida. Não existe
ponto A e ponto B e uma viagem em linha recta. Eu já sei onde está o ponto B da
história. É como se escrevesse a
conclusão sem ser capaz de rabiscar uma introdução e um desenvolvimento.
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