domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sweet Dream

Reencontrámo-nos no lugar onde já tantas vezes partilhámos histórias, segredos, onde te envolvi no meu mundo. Hoje, como tantas outras vezes, quiseste olhar-me nos olhos, estudaste os traços do meu rosto, reparaste no nervosismo com que entrelaçava as minhas mãos e na timidez permanente com que te encaro. A tua pergunta, recorrente, familiar, preocupada, ecoou na minha alma e senti que parte de mim se havia desfeito ao escutar as tuas palavras.
"Porque é que estás tão triste?"
A eterna pergunta sem resposta, e desta vez não foi excepção. Permaneci calada, fechada na minha depressão, a pensar como explicar aquilo que sentia. Não havia explicação, chegava sem aviso e desaparecia da mesma maneira, deixava-me de rastos, sem conseguir ler um livro até ao fim, sem esboçar o menor sorriso, e normalmente deixava-me pensativa e melancólica.
Subitamente, oiço de ti, uma outra pergunta, esta nada recorrente nem familiar, diferente de todas as outras que já me fizeste e ainda assim tão bonita, tão cheia de carinho e preocupação (tal como todas as outras.)
"Posso dar-te um abraço?"
Não respondi. Que resposta poderia eu dar? E abracei-te, deixei que curasses as feridas que o tempo me inflige.



["The feeling that I'm losing her forever and without really entering her world.(...) Sometimes I wish that I could freeze the picture and save it from the funny tricks of time. Slipping through my fingers."]

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Da Mágoa / Da Timidez

E é assim...
É assim que te digo adeus depois da mágoa.
É assim que cesso as minhas lágrimas.
O teu coração não passa de um vazio escuro
Frio, assustador e amargo.

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Se eu pudesse não esconder o que quero mostrar-te
A minha alma nas minhas mãos
Entreabertas, como se fôssemos crianças e eu tivesse um pequeno insecto para te mostrar.




domingo, 19 de outubro de 2008

sábado, 2 de agosto de 2008

A tua nuvem negra de tristeza
Chocará com o meu sol brilhante
Num rasgo de apocalipse
Toda a minha memória te apagará


Outrora foras a salvação
O meu caminho iluminado
A estrada aberta para mim
Foi tudo em vão

quarta-feira, 21 de maio de 2008

20/05/08

Não me vou esquecer das tuas palavras naquela manhã primaveril. Penso nelas, porque piorei, porque me deparo com a inevitável pergunta "porquê eu?".
E ecoa a tua voz, meiga, baixinha, num tom maternal, reconfortante,
"Estás doente Rita?"
Que podia responder eu? Que estava e não estava? Que tanto como sofria, também via a vida a cores?
"Sim, estou. E prefiro não falar nisso agora..."
Claro, eu sabia que se tocasse no assunto, naquela altura, toda a minha fachada alegre se transformaria na sombra da minha depressão. Sabia que as lágrimas rolariam e o meu desespero estaria tão visível que seria sufocante para mim- por desesperar cada vez mais- e para ti- por veres, sem vidros translúcidos, sem trocadilhos incessantes, a minha dor incurável e que esporadicamente me abateria.
Agora, numa noite primaveril, interrogo-me se realmente melhorei. Se aqueles anti-alérgicos, anti-inflamatórios e anti tudo o que, supostamente, me afecta, valeram a pena. Se a esperança de ficar melhor foi o que actuou ou se foram estes anti-tudo.
Para me reconfortar tento ouvir a tua voz, num volume baixo, como uma mãe, as tuas palavras doces que para mim serviam muito mais que ibuprofenos, propionatos de fluticasona e loratadinas.
A tua voz ecoa, mas com uma questão diferente, palavras menos amansadas,
"Eu não mereço tantos elogios. Tu exageras."
Provavelmente exagero, coloco demasiado açúcar naquilo que, e segundo os meus contemporâneos, devia ter vinagre. Mas a voz, a melodia sussurrante que cantavas, essa voz que aconchega e em que eu me sentia embalada... Essa voz é um dos meus consolos nestas noites tristes e plenas de interrogação.
Deito-me, aqueço-me e com as lágrimas a caírem, por entre a confusão dos meus pensamentos, oiço essa voz, que me pergunta, carinhosamente, num instinto que se diria maternal,
"Estás doente Rita?"