a ideia de desistir dá-me náuseas, limpo as lágrimas com as mãos abertas e penso que ainda sou capaz. talvez não. talvez seja tempo de abandonar o barco, assumir que sou fraca, de espírito, de carne. assumir que há tempo para tudo, mas que o tempo de espera é intolerável.
às vezes ainda penso no que quis. às vezes desenho estratégias, penso se alguém dará pela minha falta. talvez não. há tanta coisa a ocupar-nos, há tanto ruído. já não há o sentar debaixo da árvore a contemplar a existência, a pensar com calma nestas palavras. nestes palavrões.
o vácuo na cabeça a estender-se até aos ouvidos depois do choro. os olhos semicerrados a certificarem-se que tudo está por aqui. até o meu corpo.
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