domingo, 16 de fevereiro de 2020

querida Teresa,
nunca mais nos veremos. o meu corpo ainda está parado em santa apolónia, a olhar para dentro desses olhos castanhos transparentes.
diz-me como é que eu fujo desta sensação de impotência e de luto, que me esmaga a cada minuto que me lembro que te tive à minha frente, viva e inteira, comigo e com os meus pensamentos.
tu és o fim dos meus sonhos.
Teresa, como eu te queria ter abraçado. não te soube entregar palavras mais doces.
deixei-te ir.
oh, mudámos tanto e a vida não pára para contemplar as mudanças.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

querida,
deixo estes dedos pesarem com a saudade. eras tão bonita, tão especial.
"gosto muito, mas gosto ainda mais de ti"
manuscrito, sentido por alguém como eu, que olhou para dentro de outro, não basta vermos o rosto, temos de explorar o resto.
mas nós ficámos por saber uma da outra e eu cheguei a casa a chorar por nunca te ter realmente conhecido e ter-te querido desde os teus olhos negros.
ainda hoje sorrio ao ouvir a música que dançavas há 30 anos, cheia de ritmo como tu, como os teus passos certos.
hoje não te dou nome, receio perder a tua face em três sílabas comuns a tantas mulheres.
sinto a tua falta.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

um sonho lindo

gerei vida
gerei vida
gerei vida

nasceste no dia em que eu nasci
dia solarengo
aceno ao corpo que passa
prostrado
adeus, há vida


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O Torga é que sabe

Diário I

#4

continuo à procura do livro que prometi dar-te. ele desapareceu, nem os alfarrabistas o encontram, e eu quero mesmo dar-to porque tu estás naquelas páginas.

tenho feito um esforço para não me apegar tanto, porque não quero ficar com medo. mas insisto em oferecer-te aquelas palavras.