eu tive a oportunidade de te largar
de te deixar escapar
de me esquecer das palavras
e desperdicei-a.
magoar-me com pormenores
voltar a acreditar no que sou
no que sempre fui.
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
2016 II
era tudo tão intenso dantes e a vida seguia de uma maneira tão frenética que os anos passavam sem darmos por eles, percorriam os nossos dedos, as nossas mãos juvenis, o nosso coração taquicardíaco. tu surgiste no meio do caos e o silêncio que partilhávamos era o suficiente para colocar os pés na terra e voltar à sanidade. nunca pensei que a desordem de outrora voltasse. nunca pensei que as dúvidas e os anseios da pré-adolescência se manifestassem tão tarde.
este ano já não existes. o silêncio que agora partilhamos é consequência da distância, já não me puxas para a realidade mas ainda te oiço.
não sei reagir às tuas palavras. este ano reli o que me disseste. escrevo tudo para não me esquecer que há pessoas maiores que os nossos sentimentos. depois de procurar o que me marcou, voltei a ouvir essas mesmas frases e não... não sei o que escrever sobre o nó que se deu no meu cérebro. não sei o que permite que no espaço de uma semana te leia e te oiça.
e este foi o ano em que tanto à nossa volta (e em mim) morreu. tantas lágrimas pelo final. tanto tempo a pensar no final.
ainda hoje me pergunto se deveria ter cedido. se a vontade era tanta para quê adiar? mas arrasto-me e sei o que me espera e tu já reviraste os olhos. este ano olhei para ti. surpresa, cá estou passados estes anos todos, enterrada a mágoa, cá estou. tu foste porque quiseste e as tuas palavras ficaram, para que eu desconfie sempre de quem te repete, para que eu morra um pouco cá dentro quando sussurram o passado.
este ano já não existes. o silêncio que agora partilhamos é consequência da distância, já não me puxas para a realidade mas ainda te oiço.
não sei reagir às tuas palavras. este ano reli o que me disseste. escrevo tudo para não me esquecer que há pessoas maiores que os nossos sentimentos. depois de procurar o que me marcou, voltei a ouvir essas mesmas frases e não... não sei o que escrever sobre o nó que se deu no meu cérebro. não sei o que permite que no espaço de uma semana te leia e te oiça.
e este foi o ano em que tanto à nossa volta (e em mim) morreu. tantas lágrimas pelo final. tanto tempo a pensar no final.
ainda hoje me pergunto se deveria ter cedido. se a vontade era tanta para quê adiar? mas arrasto-me e sei o que me espera e tu já reviraste os olhos. este ano olhei para ti. surpresa, cá estou passados estes anos todos, enterrada a mágoa, cá estou. tu foste porque quiseste e as tuas palavras ficaram, para que eu desconfie sempre de quem te repete, para que eu morra um pouco cá dentro quando sussurram o passado.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
2016 I
querer morrer abraçada ao meu corpo
sem pensar no dia de amanhã
o ano de morrer
ao levantar a cabeça e olhar-te,
ao escutar as tuas palavras,
ao confrontar as minhas falhas,
ao perder.
o ano de ter medo
da tua ausência e da tua presença,
do amor,
de mim, da noite, dos meus pesadelos.
sem pensar no dia de amanhã
o ano de morrer
ao levantar a cabeça e olhar-te,
ao escutar as tuas palavras,
ao confrontar as minhas falhas,
ao perder.
o ano de ter medo
da tua ausência e da tua presença,
do amor,
de mim, da noite, dos meus pesadelos.
domingo, 13 de novembro de 2016
dar as costas
ainda não consigo chorar.
tenho conseguido ficar exausta até ao ponto de querer desistir de tudo, de entrar em pânico com o som da minha respiração e o bater acelerado no meu peito. tenho olhado para o lado e pensado que o melhor era mesmo desistir.
tenho conseguido ficar exausta até ao ponto de querer desistir de tudo, de entrar em pânico com o som da minha respiração e o bater acelerado no meu peito. tenho olhado para o lado e pensado que o melhor era mesmo desistir.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
...
tenho a mesma reacção contigo do que com... bem, digamos que levo as mãos à face de cada vez que tomo consciência. é tudo tão reconfortante em ti que eu julguei existir só bondade à minha volta. não é verdade, portanto arrefeço outra vez.
passou uma semana.
a C. envelheceu muito apenas numa década.
vou-me lembrando de pequenos episódios felizes da minha infância. ir à pesca e a cana que depois me foi oferecida, correr com as ovelhas, dar bolotas aos porcos, arreliá-lo ao ponto de se rir e brincar que me ia dar com o chinelo... apesar da distância, se há memória (feliz), há dor.
o padre pede para nos arrependermos dos nossos pecados. eu, que não acredito, penso nos meus erros, na inconsciência, nas armadilhas em que vou caindo embora devesse ser mais inteligente, depois dos golpes do passado. não sei se os outros pensam sequer. não se arrependem.
a C. está atrás de mim. o cabelo dela está agora decorado com vários fios brancos que se perdem nos caracóis soltos. tem rugas. não se assemelha à imagem que eu preservei dela.
e, no entanto, há um mês cruzei-me com a C. que não aparentava ser um segundo sequer mais velha. é estranho como a idade vinca-se no rosto de algumas pessoas, e deixa outras permanecerem como sempre foram. é estranho como a nossa memória vai envelhecendo algumas pessoas e deixa outras intactas.
e no meio de tudo isto, ainda deixo cair a cabeça nas mãos e interrogo-me. pergunto-me se tenho confiado nas pessoas certas, se um dia não passarão de uma imagem guardada em mim que se vai desvanecendo. pergunto-me se envelhecerão, se se manterão assim como as vejo agora, e será que as memórias felizes darão lugar à dor? não, no meu estado frio e alheado as memórias não existem. tudo é apagado antes de doer.
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