colocar os pés no chão
voltar a respirar por saber que uma parte de ti ainda existe
mesmo que eu já não me importe
mesmo que eu repita as tuas palavras com sarcasmo
que brinque com o seu significado
o tempo de falar com os sentimentos passou
das frases ditas no meio do (meu) silêncio
tu preocupas-me.
és especial.
gosto muito de ti.
já nem questiono a tua verdade
não interessa, eu não ta posso tirar
não consigo apagar o que resta da poesia
e já não canto o que foi
deixaste-me este espaço calmo, a tua dádiva
tivesse eu encontrado este (teu) silêncio mais cedo...
falta saber o que o meu corpo pensa.
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
Escuta
Magoo-me com as minhas invenções
Nunca sei se um dia não irás acordar
E decidir inventar o desespero
Em todos os caminhos antigos encontro clones teus
Sinto o coração cair, resvalar para um abismo que não sabia existir cá dentro
E colecciono todas as músicas tristes
Todos os poemas escritos com lágrimas
Já decidi (precocemente, é certo) a banda sonora da tua partida
O teu epitáfio gravado a mágoa.
Nunca sei se um dia não irás acordar
E decidir inventar o desespero
Em todos os caminhos antigos encontro clones teus
Sinto o coração cair, resvalar para um abismo que não sabia existir cá dentro
E colecciono todas as músicas tristes
Todos os poemas escritos com lágrimas
Já decidi (precocemente, é certo) a banda sonora da tua partida
O teu epitáfio gravado a mágoa.
domingo, 21 de agosto de 2016
25
não te tenho escrito. não tenho escrito sobre ti. isso, não te tenho escrito. às vezes começo um texto com querida C. mas rapidamente risco. para quê tantas cartas, desde quando é que deixou de fazer sentido, porque é que eu não fui avisada quando o teu nome desapareceu?
não tenho pensado em ti. daqui a um mês terás o dobro da minha idade. não me telefonarás, não falarás comigo, nem sequer me deixarás uma pequena mensagem. é que eu jánão te conheço. não te poderei dizer que tenho horror a esta coisa de envelhecer e que deprimo um mês antes.
é tão fácil escrever-te, porquenão existes.
não tenho pensado em ti. daqui a um mês terás o dobro da minha idade. não me telefonarás, não falarás comigo, nem sequer me deixarás uma pequena mensagem. é que eu já
é tão fácil escrever-te, porque
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
rennes
voltei de uma casa onde tanta coisa mudou
vê o que apenas cinco anos podem fazer
a uma rua, a uma praça, às casas,
aos meus olhos lacrimejantes.
a música não é a mesma e o vento faz soprar o cabelo noutras direcções
e os nossos passos vagueiam por outras ruelas
arrastamos estes corpos cansados por caminhos desconhecidos
culpamos os quilómetros, o amor, o dia de ontem, os autocarros, a falta de café
e deitamo-nos na relva molhada a ler.
vê o que apenas cinco anos podem fazer
a uma rua, a uma praça, às casas,
aos meus olhos lacrimejantes.
a música não é a mesma e o vento faz soprar o cabelo noutras direcções
e os nossos passos vagueiam por outras ruelas
arrastamos estes corpos cansados por caminhos desconhecidos
culpamos os quilómetros, o amor, o dia de ontem, os autocarros, a falta de café
e deitamo-nos na relva molhada a ler.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
...
queria puxar-te pela mão e trazer-te para esta paz
se ao menos alguém soubesse aproveitá-la
se não cedesse à ansiedade
se não tivesse constantemente o coração prestes a saltar
para fora deste corpo cansado
se este corpo conseguisse ainda proteger-se das balas
sarar as feridas
olhar para o espelho e ter orgulho, e não desprezo,
daquilo em que me tornei
saber que o fracasso faz parte
faz arte
vão existir dias de choro escondido,
de um agoniante pedido de ajuda
sem se saber do que se precisa
e jogando às escondidas connosco
esquivamo-nos aos ataques
vamos enganando a morte.
se ao menos alguém soubesse aproveitá-la
se não cedesse à ansiedade
se não tivesse constantemente o coração prestes a saltar
para fora deste corpo cansado
se este corpo conseguisse ainda proteger-se das balas
sarar as feridas
olhar para o espelho e ter orgulho, e não desprezo,
daquilo em que me tornei
saber que o fracasso faz parte
faz arte
vão existir dias de choro escondido,
de um agoniante pedido de ajuda
sem se saber do que se precisa
e jogando às escondidas connosco
esquivamo-nos aos ataques
vamos enganando a morte.
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