segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

...

Foge.

Não entres na minha casa.
Com paredes de dor
E chão de areia movediça.

Não passes a porta.
Fica do lado de fora,
Onde te possa acenar.

Vai.
Os murmúrios daqui
São mudos quando passas,
E as janelas impedem o sol de entrar.

Caí na escuridão.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Palavras

Antes de mais, desejo um bom 2008 para todos os meus leitores (decerto não serão muitos!)
Espero que tenham amor, saúde, paz e tudo aquilo que desejarem que aconteça neste novo ano!

As tuas palavras esquecidas
São feridas na minha alma

São ruínas
São destroços
Pedaços de boninas,
E olhos piedosos.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Livro

Caros leitores, hoje publicarei no meu blog uma coisa ligeiramente diferente.
Desta vez, abrirei um parênteses para vos incentivar a descobrir essa magnifica escritora que é Rosa Lobato de Faria.
Nesta época natalícia, tive a oportunidade de ler um dos seus mais recentes livros A Alma Trocada. E assim, deixo-vos com um excerto deste livro.


["Cheiravas a feno e não sabias que o coração é um barco no tempo. Quando as aves do Verão demandarem o Sul virás devagar, abrirás a porta verde-escura e esperarás em vão pelo frémito do meu corpo. Não voltarei a passar o renque das azáleas, o muro onde o sol nasce, a chuva, para morrer nos teus braços.
Era voo, oxálida, genciana, phisális, miligrã."]


E para finalizar, desejo a todos os meus leitores um bom Natal e um próspero Ano Novo, com promessas de vos deleitar com mais poemas e, quem sabe, também algumas sugestões

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A Espera

Não consigo encontrar a força perdida
(No meio do desespero)
Não cessará (tão cedo) de transbordar,
O tanque da minha vida...

Não compreendo, nem quero compreender
O gelo do teu alfabeto
O teu iceberg que acabou de me abater

Recuso-me a morrer de hipotermia pelo teu fenómeno
(muito anti-natural)
E esperarei um Verão ameno

A doçura vermelha das tuas palavras...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Rimas

Estou nua.
Nua perante o olhar perturbante
Que me mira durante a viagem sufocante.

Estou cega.
Porque perdi a visão, ao entregar-me à paixão
E sem ouvir a razão, guiei-me pelo coração.

Estou diferente.
A partir do momento, em que levaste o tormento
E espalhaste com o vento esse nosso sentimento.

Já não me afasto
Nem o futuro me parece nefasto
Nem chove, nem faz trovoada
Desde que tenho a tua protecção na minha vida amargurada.