quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

20-12

os teus antepassados diziam bem-haja
quando eras apenas sombra
no calor desta sala
vejo-te por entre as persianas
como te vi noutro mundo
quando imitávamos.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

...

incoerência na ponta dos dedos
ternura nas mãos embaladas pela memória
um órgão que não quer mais pulsar
carinho pelas veias


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

"deixei-te um dia num desalento"

da sociopatia diz o dicionário que é
Desequilíbrio patológico que se manifesta num comportamento anti-social e impulsivo ou agressivo

tu segues o messias do teu interior
a quem chamas sociopata
pedes uns segundos a sós
agarrada aos lençóis frios

tua

sociopatia
fobia
falsa telepatia
falsa sintonia
farsa doentia



"sociopatia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/sociopatia [consultado em 18-12-2017].

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous

querida C.,
estarias presente. não sei se fisicamente, não sei de que forma, mas lá estarias. 
hoje acordei e chorei. depois mordisquei uma maçã, demasiado doce para o meu palato. dei comida ao gato.
fui tratar do passe, tarefa que negligenciei durante algumas semanas... demasiadas semanas. tenho andado entre leituras e escrita, política e ensaios em segundo plano. 
foi o que foi. foi fácil cortar - hoje cortei o dedo -  mas é difícil esquecer - mesmo que tapemos a ferida. o tempo passa e parece que as memórias começam a vir à tona. não dá para afogar... não dá. eu tentei. 
tenho muito tempo para pensar. ainda mais para moer o passado recente, empoeirar o ar à minha volta. 
estou tão maldisposta C. 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

...

o som falhou, os dedos saltaram pelas teclas e ao braço faltou a força. o acorde fica por entender, não chega ao ouvido, não comunica ao cérebro.
ficámos parados na nossa própria dificuldade de compreensão e de comunicação. não conseguimos mudar os botões, pressionar os que se ausentaram. neste grande painel branco, só encontrámos acordes menores para nos sustentar.
assim é fácil fugir.


refugiei-me na ponte que te estendi para atravessares piano, piano.
soube depois que no teu mundo nada disto existe, e deixo-te rosas onde caíste em silêncio. hei-de sangrar as tuas palavras.