querer morrer abraçada ao meu corpo
sem pensar no dia de amanhã
o ano de morrer
ao levantar a cabeça e olhar-te,
ao escutar as tuas palavras,
ao confrontar as minhas falhas,
ao perder.
o ano de ter medo
da tua ausência e da tua presença,
do amor,
de mim, da noite, dos meus pesadelos.
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
domingo, 13 de novembro de 2016
dar as costas
ainda não consigo chorar.
tenho conseguido ficar exausta até ao ponto de querer desistir de tudo, de entrar em pânico com o som da minha respiração e o bater acelerado no meu peito. tenho olhado para o lado e pensado que o melhor era mesmo desistir.
tenho conseguido ficar exausta até ao ponto de querer desistir de tudo, de entrar em pânico com o som da minha respiração e o bater acelerado no meu peito. tenho olhado para o lado e pensado que o melhor era mesmo desistir.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
...
tenho a mesma reacção contigo do que com... bem, digamos que levo as mãos à face de cada vez que tomo consciência. é tudo tão reconfortante em ti que eu julguei existir só bondade à minha volta. não é verdade, portanto arrefeço outra vez.
passou uma semana.
a C. envelheceu muito apenas numa década.
vou-me lembrando de pequenos episódios felizes da minha infância. ir à pesca e a cana que depois me foi oferecida, correr com as ovelhas, dar bolotas aos porcos, arreliá-lo ao ponto de se rir e brincar que me ia dar com o chinelo... apesar da distância, se há memória (feliz), há dor.
o padre pede para nos arrependermos dos nossos pecados. eu, que não acredito, penso nos meus erros, na inconsciência, nas armadilhas em que vou caindo embora devesse ser mais inteligente, depois dos golpes do passado. não sei se os outros pensam sequer. não se arrependem.
a C. está atrás de mim. o cabelo dela está agora decorado com vários fios brancos que se perdem nos caracóis soltos. tem rugas. não se assemelha à imagem que eu preservei dela.
e, no entanto, há um mês cruzei-me com a C. que não aparentava ser um segundo sequer mais velha. é estranho como a idade vinca-se no rosto de algumas pessoas, e deixa outras permanecerem como sempre foram. é estranho como a nossa memória vai envelhecendo algumas pessoas e deixa outras intactas.
e no meio de tudo isto, ainda deixo cair a cabeça nas mãos e interrogo-me. pergunto-me se tenho confiado nas pessoas certas, se um dia não passarão de uma imagem guardada em mim que se vai desvanecendo. pergunto-me se envelhecerão, se se manterão assim como as vejo agora, e será que as memórias felizes darão lugar à dor? não, no meu estado frio e alheado as memórias não existem. tudo é apagado antes de doer.
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
meia noite e meia
apego-me a não sei quê
quando quero fugir, para onde quero fugir
ignore everybody else, we're alone now
o espartilho continua a apertar
falta-me o ar, tenho a garganta seca
respiro pela primeira vez
como se nunca tivesse enchido o peito de ar
mas não consigo chorar
mais.
num permanente estado de confusão
de pedir socorro às paredes de Lisboa
de perder a vida aos poucos
de lembrar-me que existias
existes
tapar os ouvidos, cantar alto
escapar do mundo que me trouxe aqui
e da viagem que me promete.
quando quero fugir, para onde quero fugir
ignore everybody else, we're alone now
o espartilho continua a apertar
falta-me o ar, tenho a garganta seca
respiro pela primeira vez
como se nunca tivesse enchido o peito de ar
mas não consigo chorar
mais.
num permanente estado de confusão
de pedir socorro às paredes de Lisboa
de perder a vida aos poucos
de lembrar-me que existias
existes
tapar os ouvidos, cantar alto
escapar do mundo que me trouxe aqui
e da viagem que me promete.
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
da morte
doze anos depois partiu
e seguiu para o nada
ou talvez para o lugar ao qual o padre chama morada
o alívio é desconfortável
depois de se fazer o luto dos vivos
e apenas sobrar mágoa.
doze anos depois ressuscitou
e apareceu para testemunhar a morte
(não a sua)
na esperança de encomendar a alma a alguém mais bondoso que os vivos,
enrola orações e cânticos entre a língua e os dentes que saem,
incoerentes, pelos lábios semicerrados, semi-chorados.
a terra que a cobre e a esconde não é feita de perdão
a memória decompõe-se, as feições desaparecem, o corpo muda
mas ninguém deixa flores aos vivos que morreram.
e seguiu para o nada
ou talvez para o lugar ao qual o padre chama morada
o alívio é desconfortável
depois de se fazer o luto dos vivos
e apenas sobrar mágoa.
doze anos depois ressuscitou
e apareceu para testemunhar a morte
(não a sua)
na esperança de encomendar a alma a alguém mais bondoso que os vivos,
enrola orações e cânticos entre a língua e os dentes que saem,
incoerentes, pelos lábios semicerrados, semi-chorados.
a terra que a cobre e a esconde não é feita de perdão
a memória decompõe-se, as feições desaparecem, o corpo muda
mas ninguém deixa flores aos vivos que morreram.
Subscrever:
Mensagens (Atom)