às vezes lembro-me que existe gente à minha volta
pessoas como eu, que saem do trabalho vencidas
entorpecida, distraída, com a alma ferida.
quem me dera não saber percorrer esse caminho
se as linhas do metro são complicadas, imagina...
imagina só.
cá dentro há um sistema muito mais complicado...
mais difícil de entender
e eu estou tão desorientada, perdida num ser
de olhos vendados e peito magoado.
se for para cravar mais uma bala
deixa-me estar.
deixa-me ficar a chorar, deixa-me sozinha
que eu já vivi assim.
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
quinta-feira, 7 de abril de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
recomeçar
as palavras têm fugido. aos poucos voltam, aparecem discretamente e exigem ser ouvidas.
não sei o que será deste canto, mas vamos navegando. havemos de chegar a algum lado.
não sei o que será deste canto, mas vamos navegando. havemos de chegar a algum lado.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Apetece-me escrever.
Apetece-me escrever porque sim e tenho uma tela branca pronta a ser preenchida.
Não me posso dar a estes momentos que consomem demasiado de mim. Não sei se estou triste por ti ou para ti. "Diria" melhor se escrevesse não sei se a tristeza é a consequência da tua ausência ou se tu apenas surges nestes momentos, a flutuar no nada, a pairar no pensamento.
És uma oportunista. Sempre foste.
Não tens lugar de destaque, as luzes não estão viradas para ti mas arranjas maneira de aparecer.
Conta-me o teu segredo... És o quê? Como fazes? Tens mesmo existência física?
Desculpa-me a última pergunta mas acredito cada vez menos na tua existência. Ouvi dizer que o teu corpo passeia por aqui e por ali mas nunca o vejo. Vejo a tua sombra. Pelo menos gosto de pensar que sim.
Tenho isto para te dizer: que vie c'est le mot e a vida passa a correr. Que a palavra é cheia quando se tem muito, mas vazia quando nada se tem.
Qual é a piada de se esvaziar uma palavra? Tu lá saberás.
Apetece-me escrever porque sim e tenho uma tela branca pronta a ser preenchida.
Não me posso dar a estes momentos que consomem demasiado de mim. Não sei se estou triste por ti ou para ti. "Diria" melhor se escrevesse não sei se a tristeza é a consequência da tua ausência ou se tu apenas surges nestes momentos, a flutuar no nada, a pairar no pensamento.
És uma oportunista. Sempre foste.
Não tens lugar de destaque, as luzes não estão viradas para ti mas arranjas maneira de aparecer.
Conta-me o teu segredo... És o quê? Como fazes? Tens mesmo existência física?
Desculpa-me a última pergunta mas acredito cada vez menos na tua existência. Ouvi dizer que o teu corpo passeia por aqui e por ali mas nunca o vejo. Vejo a tua sombra. Pelo menos gosto de pensar que sim.
Tenho isto para te dizer: que vie c'est le mot e a vida passa a correr. Que a palavra é cheia quando se tem muito, mas vazia quando nada se tem.
Qual é a piada de se esvaziar uma palavra? Tu lá saberás.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
da memória.
Há duas portas que não fecham.
Há demasiado barulho, lá em cima.
Não quero perder o meu chão,
Mas a tua força é maior que a minha.
Tudo estremece.
Sou eu. Eu sou o meu terramoto.
A minha fraqueza culpa-te.
No teu trono esculpido por anjos caídos
E línguas de ódio,
Preparas a mira para alvejar,
Que sem chão e sem força, o meu corpo não pode aguentar.
A tua auréola do passado
Está arrumada no pretérito imperfeito.
Ainda brilha, ainda sabe brilhar,
E sabe quem eras.
O passado nunca vai passar.
Há demasiado barulho, lá em cima.
Não quero perder o meu chão,
Mas a tua força é maior que a minha.
Tudo estremece.
Sou eu. Eu sou o meu terramoto.
A minha fraqueza culpa-te.
No teu trono esculpido por anjos caídos
E línguas de ódio,
Preparas a mira para alvejar,
Que sem chão e sem força, o meu corpo não pode aguentar.
A tua auréola do passado
Está arrumada no pretérito imperfeito.
Ainda brilha, ainda sabe brilhar,
E sabe quem eras.
O passado nunca vai passar.
quinta-feira, 31 de março de 2011
avião.
Á tua passagem
Rasga-se o céu,
E a cicatriz
Lentamente se desvanece na paisagem.
Um dia, essas tuas passagens efémeras,
Deixarão de marcar.
A ferida já não sara,
E não podes ferir o que ainda está por cicatrizar.
Hás-de perceber que as tuas asas
Já não me cativam.
O teu voo não é único,
No universo dos que levitam.
Rasga-se o céu,
E a cicatriz
Lentamente se desvanece na paisagem.
Um dia, essas tuas passagens efémeras,
Deixarão de marcar.
A ferida já não sara,
E não podes ferir o que ainda está por cicatrizar.
Hás-de perceber que as tuas asas
Já não me cativam.
O teu voo não é único,
No universo dos que levitam.
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