segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Apetece-me escrever.
Apetece-me escrever porque sim e tenho uma tela branca pronta a ser preenchida.
Não me posso dar a estes momentos que consomem demasiado de mim. Não sei se estou triste por ti ou para ti. "Diria" melhor se escrevesse não sei se a tristeza é a consequência da tua ausência ou se tu apenas surges nestes momentos, a flutuar no nada, a pairar no pensamento.
És uma oportunista. Sempre foste.
Não tens lugar de destaque, as luzes não estão viradas para ti mas arranjas maneira de aparecer.
Conta-me o teu segredo... És o quê? Como fazes? Tens mesmo existência física?
Desculpa-me a última pergunta mas acredito cada vez menos na tua existência. Ouvi dizer que o teu corpo passeia por aqui e por ali mas nunca o vejo. Vejo a tua sombra. Pelo menos gosto de pensar que sim.

Tenho isto para te dizer: que vie c'est le mot e a vida passa a correr. Que a palavra é cheia quando se tem muito, mas vazia quando nada se tem.
Qual é a piada de se esvaziar uma palavra? Tu lá saberás.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

da memória.

Há duas portas que não fecham.
Há demasiado barulho, lá em cima.
Não quero perder o meu chão,
Mas a tua força é maior que a minha.

Tudo estremece.

Sou eu. Eu sou o meu terramoto.
A minha fraqueza culpa-te.

No teu trono esculpido por anjos caídos
E línguas de ódio,
Preparas a mira para alvejar,
Que sem chão e sem força, o meu corpo não pode aguentar.

A tua auréola do passado
Está arrumada no pretérito imperfeito.
Ainda brilha, ainda sabe brilhar,
E sabe quem eras.

O passado nunca vai passar.

quinta-feira, 31 de março de 2011

avião.

Á tua passagem
Rasga-se o céu,
E a cicatriz
Lentamente se desvanece na paisagem.

Um dia, essas tuas passagens efémeras,
Deixarão de marcar.
A ferida já não sara,
E não podes ferir o que ainda está por cicatrizar.

Hás-de perceber que as tuas asas
Já não me cativam.
O teu voo não é único,
No universo dos que levitam.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

I don't know why I cry.

Eu era tão pequena e tu eras tão grande,
mas isso não interessava porque os sentimentos não escolhem idades.
Eu cresci e tu continuaste grande...e o sentimento ficou pequeno.

Eu tenho memórias que não consigo esquecer, eu oiço palavras que quero apagar, eu revolto-me e zango-me comigo mas, às vezes, eu só queria ter alguém a falar comigo como tu falavas.

Eu sei que é uma estupidez e eu não sei porque é que tenho saudades.
Eu sei que não quero falar contigo e eu não sei porque é que tenho saudades.
Há palavras que são como facadas. Eu não as quero ouvir mas elas insistem em ecoar.
Não, tu não gostas muito de mim, eu não te preocupo e eu não fui especial.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

"and it kills me to think that you never did care."

Um dia fui ter contigo a uma sala. (não havia sala maior que a minha tristeza)
As manhãs em que ia a essa sala, eram frias, eram de Inverno. Inverno que trouxe neve, Inverno que se parecia demasiado comigo.
Lá estavas tu, a lamentar esse Inverno, a chuva, o frio. A metereologia era o teu assunto preferido. Sei bem que não vou falar de nada. Tu não, tu esperas que eu desabafe.
A chuva continua a cair, e o frio que se sente é ainda o mesmo.
E a confiança?
Se eu voltasse atrás, nunca iria a essa sala.
Mas fui.
Tão calada fiquei, que os meus olhos decidiram falar. Pois é, vê como estou, ajuda-me, és a pessoa "da" sala, deste Inverno, deste Inferno.
E eu vou contigo guardar dicionários, eu fico a falar, eu não digo nada, eu questiono, eu faço piadas, tu ris, mas eu não.
Nunca ninguém tinha sido tão querido comigo, nunca ninguém me magoou tanto.
...
Eu também me lembro de tardes. Eram primaveris, eram mais quentes.
Sentada numa mesa, em pé, a andar, a falar, calada, a revirar os olhos, a tremer, a sorrir, e tu...tu a analisares.
Nunca ninguém se tinha preocupado tanto comigo, nunca ninguém me desiludiu tanto.
...
Eu lembro-me de todas as tuas palavras.
Eu lembro-me de quanto me magoou ouvir gosto muito de ti.

Tudo isto, todas estas memórias, por uma simples e estúpida mensagem de Natal.
...
Espero que nunca te lembres de mim,
Rita

(peço desculpa pelo stream of consciousness.)