não tenho inveja
garanto, forçando um sorriso convicto de quem já não tem nada a perder.
não mintas, sempre foste invejosa, sempre quiseste o que os outros têm. não aguentas ver a felicidade dos outros, precisas de aparecer e testar a aparente alegria das pessoas à tua volta.
nego. não apareci para ser inconveniente, não quis perturbar o vosso momento mas entendam aquilo que me está a acontecer. não tenho inveja, mas tenho uma tristeza enorme por não poder passar pelo mesmo que vocês, pelo menos para já.
há duas semanas que sonho com a mesma coisa. o meu corpo não tem ajudado. saberá ele do meu desejo? terei eu, inadvertidamente, provocado em mim os sintomas do sonho por realizar?
por isso se vos vejo assim e choro é apenas por isto, por querer. preciso de espaço para evoluir, para dar continuidade ao meu ser.
*
uma estranha praga assola os meus amigos.
a depressão.
já aguento isto há 18 anos, a conversa é sempre a mesma, já não aguento mais, para mim chega, retorque a jovem, visivelmente transtornada. o pensamento incauto é muito belo. não há nada como estar atenta à poesia que é criada inesperadamente, a cada segundo, pelos outros.
depois podemos continuar o dia a esmagar com as próprias mãos os sonhos, a alegria, a esperança que deveríamos carregar.
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