é verão e vestimos casacos de inverno. avisto-te através da janela de casa, passas a estrada a fumar e a falar com outras pessoas e eu saio de pantufas para a rua porque tenho saudades tuas.
nem sei o que te dizer. não ensaiei nada. aproximo-me e abraço-te.
estás mais gordinha, o teu casaco tem pêlo e não nos vemos há meses. é verão e não queremos sentir frio.
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
terça-feira, 25 de julho de 2017
quinta-feira, 13 de julho de 2017
quinta-feira, 6 de julho de 2017
desilusão II
ofereço-te o meu estômago em contracção
em troca do teu silêncio
ofereço-te cada ruga da minha mão
para lá depositares o peso
das lágrimas de desilusão
que só eu verti.
porque quando se dá tudo
dá-se cada membro e cada órgão
reabitas os lugares que consumiste
vens em dor ao sítio onde já sorriste.
em troca do teu silêncio
ofereço-te cada ruga da minha mão
para lá depositares o peso
das lágrimas de desilusão
que só eu verti.
porque quando se dá tudo
dá-se cada membro e cada órgão
reabitas os lugares que consumiste
vens em dor ao sítio onde já sorriste.
sábado, 24 de junho de 2017
uma saudade feita louca
como um cão a rodar sobre si, a tentar apanhar a cauda.
como alguém que bebeu vodka a mais e quer falar e troca os pés e os olhos no caminho para casa.
como uma cama meio ocupada por um corpo meio ferido, com dores inexplicáveis.
como um beijo, em parte inocente e parte ardente...
vá lá, sai daqui. a minha vida tem mais interesse com vodka e fruta fresca do que com mágoa.
como alguém que bebeu vodka a mais e quer falar e troca os pés e os olhos no caminho para casa.
como uma cama meio ocupada por um corpo meio ferido, com dores inexplicáveis.
como um beijo, em parte inocente e parte ardente...
vá lá, sai daqui. a minha vida tem mais interesse com vodka e fruta fresca do que com mágoa.
quinta-feira, 22 de junho de 2017
carta aberta à desilusão
tive aulas numa sala com uma janela muito grande. ocupava toda a parede. passava as aulas de história a olhar para fora, a observar as pessoas e os carros e a inventar estórias. anos depois, nessa mesma sala, eu sentava-me em cima da mesa à frente do vidro e não falava. ficava a escutá-la e isso bastava. às vezes nenhuma de nós falava. ela dava-me tempo para o meu relógio parar.
ainda existem vozes assim, dessas que colocam um travão à velocidade a que vivemos. mas não basta.
eu dizia-lhe que nem tudo é maravilhoso, lamentava os enjoos e as tonturas, o sono e apatia (que, em boa verdade, deu um jeito dos diabos) e tudo o que ela sabia responder era que nunca se tinha sentido melhor, que sugeria a toda a gente (como se toda a gente seguisse um padrão).
a parte boa é que contornei a exaustão. sou capaz de pensar claramente. sou capaz de ler. sou capaz de falar e rir. sou capaz de limpar a casa, cozinhar, até já tenho umas plantaçõezinhas.
não o alcancei a passear (acredita, eu até tentei), nem a dar abracinhos e beijinhos a meio mundo (e não me falta quem os dê).
não há padrão, e quem nos quer enfiar padrões pela goela abaixo não merece a nossa atenção.
qualquer via é válida, não há menos dignidade em assumir fraquezas que têm de ser controladas.
quando eu não queria assumir as minhas fraquezas, ela dizia que há muito que acreditava que eu tinha preconceito. é verdade, o meu preconceito era acreditar que tudo ficaria melhor se passeasse, comesse muito sushi e namorasse muito. tem piada, não tem? crer que uma doença passa por nos distrairmos da vida. mas e quando te deitas? e quando ficas acocorada a chorar num canto? e quando choras esta vida e a outra no banho porque tudo te parece perdido?
eu aprendi muito nos últimos meses. obrigada.
ainda existem vozes assim, dessas que colocam um travão à velocidade a que vivemos. mas não basta.
eu dizia-lhe que nem tudo é maravilhoso, lamentava os enjoos e as tonturas, o sono e apatia (que, em boa verdade, deu um jeito dos diabos) e tudo o que ela sabia responder era que nunca se tinha sentido melhor, que sugeria a toda a gente (como se toda a gente seguisse um padrão).
a parte boa é que contornei a exaustão. sou capaz de pensar claramente. sou capaz de ler. sou capaz de falar e rir. sou capaz de limpar a casa, cozinhar, até já tenho umas plantaçõezinhas.
não o alcancei a passear (acredita, eu até tentei), nem a dar abracinhos e beijinhos a meio mundo (e não me falta quem os dê).
não há padrão, e quem nos quer enfiar padrões pela goela abaixo não merece a nossa atenção.
qualquer via é válida, não há menos dignidade em assumir fraquezas que têm de ser controladas.
quando eu não queria assumir as minhas fraquezas, ela dizia que há muito que acreditava que eu tinha preconceito. é verdade, o meu preconceito era acreditar que tudo ficaria melhor se passeasse, comesse muito sushi e namorasse muito. tem piada, não tem? crer que uma doença passa por nos distrairmos da vida. mas e quando te deitas? e quando ficas acocorada a chorar num canto? e quando choras esta vida e a outra no banho porque tudo te parece perdido?
eu aprendi muito nos últimos meses. obrigada.
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