Á tua passagem
Rasga-se o céu,
E a cicatriz
Lentamente se desvanece na paisagem.
Um dia, essas tuas passagens efémeras,
Deixarão de marcar.
A ferida já não sara,
E não podes ferir o que ainda está por cicatrizar.
Hás-de perceber que as tuas asas
Já não me cativam.
O teu voo não é único,
No universo dos que levitam.
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
quinta-feira, 31 de março de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
I don't know why I cry.
Eu era tão pequena e tu eras tão grande,
mas isso não interessava porque os sentimentos não escolhem idades.
Eu cresci e tu continuaste grande...e o sentimento ficou pequeno.
Eu tenho memórias que não consigo esquecer, eu oiço palavras que quero apagar, eu revolto-me e zango-me comigo mas, às vezes, eu só queria ter alguém a falar comigo como tu falavas.
Eu sei que é uma estupidez e eu não sei porque é que tenho saudades.
Eu sei que não quero falar contigo e eu não sei porque é que tenho saudades.
Há palavras que são como facadas. Eu não as quero ouvir mas elas insistem em ecoar.
Não, tu não gostas muito de mim, eu não te preocupo e eu não fui especial.
mas isso não interessava porque os sentimentos não escolhem idades.
Eu cresci e tu continuaste grande...e o sentimento ficou pequeno.
Eu tenho memórias que não consigo esquecer, eu oiço palavras que quero apagar, eu revolto-me e zango-me comigo mas, às vezes, eu só queria ter alguém a falar comigo como tu falavas.
Eu sei que é uma estupidez e eu não sei porque é que tenho saudades.
Eu sei que não quero falar contigo e eu não sei porque é que tenho saudades.
Há palavras que são como facadas. Eu não as quero ouvir mas elas insistem em ecoar.
Não, tu não gostas muito de mim, eu não te preocupo e eu não fui especial.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
"and it kills me to think that you never did care."
Um dia fui ter contigo a uma sala. (não havia sala maior que a minha tristeza)
As manhãs em que ia a essa sala, eram frias, eram de Inverno. Inverno que trouxe neve, Inverno que se parecia demasiado comigo.
Lá estavas tu, a lamentar esse Inverno, a chuva, o frio. A metereologia era o teu assunto preferido. Sei bem que não vou falar de nada. Tu não, tu esperas que eu desabafe.
A chuva continua a cair, e o frio que se sente é ainda o mesmo.
E a confiança?
Se eu voltasse atrás, nunca iria a essa sala.
Mas fui.
Tão calada fiquei, que os meus olhos decidiram falar. Pois é, vê como estou, ajuda-me, és a pessoa "da" sala, deste Inverno, deste Inferno.
E eu vou contigo guardar dicionários, eu fico a falar, eu não digo nada, eu questiono, eu faço piadas, tu ris, mas eu não.
Nunca ninguém tinha sido tão querido comigo, nunca ninguém me magoou tanto.
...
Eu também me lembro de tardes. Eram primaveris, eram mais quentes.
Sentada numa mesa, em pé, a andar, a falar, calada, a revirar os olhos, a tremer, a sorrir, e tu...tu a analisares.
Nunca ninguém se tinha preocupado tanto comigo, nunca ninguém me desiludiu tanto.
...
Eu lembro-me de todas as tuas palavras.
Eu lembro-me de quanto me magoou ouvir gosto muito de ti.
Tudo isto, todas estas memórias, por uma simples e estúpida mensagem de Natal.
...
Espero que nunca te lembres de mim,
Rita
(peço desculpa pelo stream of consciousness.)
As manhãs em que ia a essa sala, eram frias, eram de Inverno. Inverno que trouxe neve, Inverno que se parecia demasiado comigo.
Lá estavas tu, a lamentar esse Inverno, a chuva, o frio. A metereologia era o teu assunto preferido. Sei bem que não vou falar de nada. Tu não, tu esperas que eu desabafe.
A chuva continua a cair, e o frio que se sente é ainda o mesmo.
E a confiança?
Se eu voltasse atrás, nunca iria a essa sala.
Mas fui.
Tão calada fiquei, que os meus olhos decidiram falar. Pois é, vê como estou, ajuda-me, és a pessoa "da" sala, deste Inverno, deste Inferno.
E eu vou contigo guardar dicionários, eu fico a falar, eu não digo nada, eu questiono, eu faço piadas, tu ris, mas eu não.
Nunca ninguém tinha sido tão querido comigo, nunca ninguém me magoou tanto.
...
Eu também me lembro de tardes. Eram primaveris, eram mais quentes.
Sentada numa mesa, em pé, a andar, a falar, calada, a revirar os olhos, a tremer, a sorrir, e tu...tu a analisares.
Nunca ninguém se tinha preocupado tanto comigo, nunca ninguém me desiludiu tanto.
...
Eu lembro-me de todas as tuas palavras.
Eu lembro-me de quanto me magoou ouvir gosto muito de ti.
Tudo isto, todas estas memórias, por uma simples e estúpida mensagem de Natal.
...
Espero que nunca te lembres de mim,
Rita
(peço desculpa pelo stream of consciousness.)
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
à tua espera?
o meu relógio é muito bonito e eu gosto de ir olhando para as horas, só para o admirar. demoro-me muito a olhar para os ponteiros, a admirar a beleza do meu acessório. Na verdade, também sou algo lenta porque aprendi recentemente a ver as horas.
e eu estava sozinha, num grande jardim, a olhar para o meu relógio.
- olá, estavas à minhas espera?
- hum? não creio...
- e de algo que eu te pudesse dar?
- também não, obrigada.
se eu estivesse à espera de ti, ou de algo vindo de ti, os ponteiros do meu relógio cessariam a sua actividade.
e eu estava sozinha, num grande jardim, a olhar para o meu relógio.
- olá, estavas à minhas espera?
- hum? não creio...
- e de algo que eu te pudesse dar?
- também não, obrigada.
se eu estivesse à espera de ti, ou de algo vindo de ti, os ponteiros do meu relógio cessariam a sua actividade.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
29/05/10
Eu posso ficar aqui sentada, imóvel, a olhar para os teus olhos que procuram vá-se-lá-saber-o-quê, nessa janela.
Sei que não estás a olhar para rua, que não estás a observar as pessoas no seu frenesim matinal, que passam a correr daqui e dali e atravessam o comprimento da janela num àpice. Não estás. Principalmente porque se estivesses terias uma expressão inquisidora, olhos embebebidos pela curiosidade e não tens.
Bem, mas também nunca tiveste essa expressão... Suponho que seja um momento de melancolia, talvez até de alguma tristeza. Deixa estar, eu fico aqui quietinha, podes olhar para uma qualquer janela, mesmo que seja a da alma.
...
Sei que não estás a olhar para rua, que não estás a observar as pessoas no seu frenesim matinal, que passam a correr daqui e dali e atravessam o comprimento da janela num àpice. Não estás. Principalmente porque se estivesses terias uma expressão inquisidora, olhos embebebidos pela curiosidade e não tens.
Bem, mas também nunca tiveste essa expressão... Suponho que seja um momento de melancolia, talvez até de alguma tristeza. Deixa estar, eu fico aqui quietinha, podes olhar para uma qualquer janela, mesmo que seja a da alma.
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