quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Sabes C.,
ontem falei com ela. foi um dia tão bonito, tão idílico, que eu quase desejei que ela tivesse lá estado. estavas tu, é verdade.
Ela diz-me que nem queria acreditar quando soube da novidade, e a minha tentação é responder que nem eu acredito ainda. foi um sonho, trago imagens fixas nas pálpebras, tenho breves momentos de cinema em mim, a contar-me como foi que as horas passaram.

Tu tens um bocado de mim preso em ti. E estavas lá.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

às vezes eu falo baixinho contigo
na escuridão
depois de falar com Deus.

será que estes sussurros poisam em ti
de noite  de madrugada
estás acordada?

domingo, 23 de setembro de 2018

#3, rascunho

fala tu.
eu esgoto com alguma rapidez as palavras, e de qualquer das maneiras nem sempre me entendes.
quando não me compreendes, é como se rasgasses parte das linhas que eu cosi com o teu nome, cá dentro, tão fundo, tão longe do toque. 
por isso, fala tu. diz o que quiseres, interpreta como quiseres, sê o que quiseres. deixa o meu bordado intacto.




sábado, 25 de agosto de 2018

#2, rascunho

gostava tanto de ti.
enquanto te espero olho para as fotografias que tirámos, leio as mensagens que trocámos, e dói-me a carne sobressaltada pela memória de querer-te tanto.
insulto aquilo/aquele que me guia por te colocar ao meu lado, sabendo que és traiçoeira, conhecedora de mil palavras distintas, todas elas usadas para me dizer gosto de ti.
e eu gostava tanto de ti.



quarta-feira, 8 de agosto de 2018

há umas noites...

o vazio não me deixava esquecer
que algures, num tempo não muito certo,
havia qualquer coisa, digna de um adjectivo bonito,
nas palavras. e na voz. e no embalo.


eu tenho que te agradecer pela interrupção do nada
não seria o embalo, um abalo? não seria a tua voz, um alerta? não seria aqui a paragem, o final de todos os adjectivos mais ou menos bonitos, mais ou menos tristes.


quando não falo, estou a evitar o confronto comigo
e inevitavelmente tropeço na normalidade das pessoas à minha volta.