lembras-te quando tudo era novo
as nossas faces
as nossas palavras
as nossas viagens
a mochila e a tenda às costas
à espera de poiso
e eu e tu num café
a inventar os dias
os últimos da ingenuidade com que te olhava
e te ouvia
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
quarta-feira, 4 de abril de 2018
segunda-feira, 2 de abril de 2018
abril
o peso da tua cabeça
no meu ombro
num dia de sol
os teus cabelos pretos
escondem
a minha bochecha direita
no meu ombro
num dia de sol
os teus cabelos pretos
escondem
a minha bochecha direita
terça-feira, 27 de março de 2018
do you believe in God?
tenho passado muito tempo a acreditar num mundo de acasos e coincidências que, por vezes, me confunde. a ideia de algo superior arrebata-me e sinto que existem detalhes organizados tão cuidadosamente, que a sorte, por si só, dificilmente explicaria a sequência lógica e afinada que a vida, raras vezes, toma.
não sou uma pessoa religiosa, i.e., não professo nenhuma fé, sou agnóstica, e a minha dúvida expande-se.
conversava hoje sobre o aparecimento de uma pessoa depois do caos profissional, emocional, que provei. são raras as pessoas calmas, tranquilas, apaziguadoras, genuinamente positivas que atravessam o nosso caminho. é sorte, sim. a pessoa sempre existiu.
no lady bird há um momento final de plenitude e conforto aquando da visita a uma igreja, durante a missa. no primo basílio, grandes agitações emocionais e a subsequente procura de respostas são representadas pela oração na igreja, numa conversa privada entre a pecadora e deus. não sendo católica, não sinto o apelo da igreja, mas o da conversa por vezes sim. na verdade, é a necessidade de mergulharmos para dentro e ouvirmos as nossas próprias respostas. não sei se existe algo, para além de mim, a ouvir. não interessa, importa encontrar a tal zona de conforto e compreensão.
ao ler o silêncio na era do ruído, ganhei este dado interessante sobre como diferentes deuses são apresentados pelo silêncio. é neste silêncio cheio de diálogos e questões - de onde surgem estes acasos, há lógica? tenho sorte? existe explicação para algumas premonições? para o aperto que algumas pessoas nos causam? já as terei conhecido antes? - que me encontro.
no fio da navalha, larry tenta encontrar deus (ou, pelo menos, é essa a hipótese avançada pelo narrador, nas páginas que folheei até agora), empregando diversos meios para alcançar essa descoberta. não pretendo tal coisa, não tenho pressa de descobrir e gosto das surpresas boas que surgem. só me angustia o futuro e as reviravoltas que ainda me esperam.
sei que quem me comove, passa. a passagem destas pessoas é demasiado rápida.
não sou uma pessoa religiosa, i.e., não professo nenhuma fé, sou agnóstica, e a minha dúvida expande-se.
conversava hoje sobre o aparecimento de uma pessoa depois do caos profissional, emocional, que provei. são raras as pessoas calmas, tranquilas, apaziguadoras, genuinamente positivas que atravessam o nosso caminho. é sorte, sim. a pessoa sempre existiu.
no lady bird há um momento final de plenitude e conforto aquando da visita a uma igreja, durante a missa. no primo basílio, grandes agitações emocionais e a subsequente procura de respostas são representadas pela oração na igreja, numa conversa privada entre a pecadora e deus. não sendo católica, não sinto o apelo da igreja, mas o da conversa por vezes sim. na verdade, é a necessidade de mergulharmos para dentro e ouvirmos as nossas próprias respostas. não sei se existe algo, para além de mim, a ouvir. não interessa, importa encontrar a tal zona de conforto e compreensão.
ao ler o silêncio na era do ruído, ganhei este dado interessante sobre como diferentes deuses são apresentados pelo silêncio. é neste silêncio cheio de diálogos e questões - de onde surgem estes acasos, há lógica? tenho sorte? existe explicação para algumas premonições? para o aperto que algumas pessoas nos causam? já as terei conhecido antes? - que me encontro.
no fio da navalha, larry tenta encontrar deus (ou, pelo menos, é essa a hipótese avançada pelo narrador, nas páginas que folheei até agora), empregando diversos meios para alcançar essa descoberta. não pretendo tal coisa, não tenho pressa de descobrir e gosto das surpresas boas que surgem. só me angustia o futuro e as reviravoltas que ainda me esperam.
sei que quem me comove, passa. a passagem destas pessoas é demasiado rápida.
quinta-feira, 22 de março de 2018
(ainda em) março
se eu balbuciar sim entre garfadas
sem alento para continuar
a pisar o coração
deixa-me a encenar
o bailado dos talheres
e a gritar cá dentro não.
sem alento para continuar
a pisar o coração
deixa-me a encenar
o bailado dos talheres
e a gritar cá dentro não.
quinta-feira, 8 de março de 2018
março
o teu cabelo dourado chega agora aos ombros, liso e forte, num corte direito apanhado ao centro por um gancho preto.
continuas igual. ninguém diria que estás quase nos 60. talvez já tenhas passado... eu já não sei.
desaparecemos mas estivemos tão presentes durante aqueles anos em que não sabíamos como iria ser a vida.
tentei.
voltaste quando te li num poema e para a próxima vez que nos encontrarmos quero que o leias.
não queremos o perigo.
eu tentei.
continuas igual. ninguém diria que estás quase nos 60. talvez já tenhas passado... eu já não sei.
desaparecemos mas estivemos tão presentes durante aqueles anos em que não sabíamos como iria ser a vida.
tentei.
voltaste quando te li num poema e para a próxima vez que nos encontrarmos quero que o leias.
não queremos o perigo.
eu tentei.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


