corpo preso ao chão. eu vim a cantar para mim se eu quiser falar com deus. não consigo falar com deus e ele sabe melhor que ninguém que já tentei, vezes a fio. se lhe peço ajuda, envia-me sinais por descodificar, o teu nome em locais absurdos, és outros e és objectos. era fácil para ele moldar-te à forma do perdão, e no entanto as tuas ofensas orgulhosas continuam.
é difícil, é penoso conceder-te um acesso livre ao lado de cá. aos binóculos de deus somos criaturas ínfimas que se cruzam, colocadas no caminho uma da outra por razão nenhuma, ou por todas as razões possíveis?, e ele joga e baralha a seu bel prazer. há uma aleatoriedade e, ao mesmo tempo, uma intenção que ultrapassam o que conhecemos, como se deus rolasse os dados, para escolher um destino ao acaso, mas limitasse o número de pintas para que nos calhássemos sempre.
eu espero que ele decida perdoar-te, porque não sou eu. eu estou serenamente a aguardar instruções para te poder perdoar.
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
domingo, 6 de agosto de 2017
pois é, então.
é fácil abocaranhes-me e passeares pela vida, dentes serrados, parando para te olhares ao espelho, no espelho, nu...
é fácil esconderes-me atrás das portas, misturada com o pó, a sujidade que há no chão e em mim, e queres aspirar mas nada sai, deixa. deixa a sujidade para quem sabe conviver com ela.
mudamos de sítio e permanecemos, levamos tanto peso, sem necessidade. não tenho lugar para descarregar. não tenho, descanso, não tenho, descanso.
é fácil esconderes-me atrás das portas, misturada com o pó, a sujidade que há no chão e em mim, e queres aspirar mas nada sai, deixa. deixa a sujidade para quem sabe conviver com ela.
mudamos de sítio e permanecemos, levamos tanto peso, sem necessidade. não tenho lugar para descarregar. não tenho, descanso, não tenho, descanso.
terça-feira, 25 de julho de 2017
pantufas
é verão e vestimos casacos de inverno. avisto-te através da janela de casa, passas a estrada a fumar e a falar com outras pessoas e eu saio de pantufas para a rua porque tenho saudades tuas.
nem sei o que te dizer. não ensaiei nada. aproximo-me e abraço-te.
estás mais gordinha, o teu casaco tem pêlo e não nos vemos há meses. é verão e não queremos sentir frio.
nem sei o que te dizer. não ensaiei nada. aproximo-me e abraço-te.
estás mais gordinha, o teu casaco tem pêlo e não nos vemos há meses. é verão e não queremos sentir frio.
quinta-feira, 13 de julho de 2017
quinta-feira, 6 de julho de 2017
desilusão II
ofereço-te o meu estômago em contracção
em troca do teu silêncio
ofereço-te cada ruga da minha mão
para lá depositares o peso
das lágrimas de desilusão
que só eu verti.
porque quando se dá tudo
dá-se cada membro e cada órgão
reabitas os lugares que consumiste
vens em dor ao sítio onde já sorriste.
em troca do teu silêncio
ofereço-te cada ruga da minha mão
para lá depositares o peso
das lágrimas de desilusão
que só eu verti.
porque quando se dá tudo
dá-se cada membro e cada órgão
reabitas os lugares que consumiste
vens em dor ao sítio onde já sorriste.
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