quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

am i blue

talvez vos tenha amado como amo os dias frios em que me posso esconder, entre camadas de roupa e sono e preguiça. "há dias assim", diz ignorando com quem está a falar. a falta de comida, de sono, de conversa. passar o dia calada, com tanto por fazer e tão pouca vontade, e errar na pessoa em quem confiar.
as saudades são imensas. mas perdemo-nos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

jan 2017

estás fora da minha janela
alguém te viu entre o fumo,
entre as garrafas vazias
e os pacotes que se acumulam
com a comida a apodrecer como
estas mãos que tentam escrever-te.
chamaram-te, abriram-te a porta,
enquanto eu dormia
enquanto sonhava com os teus passos
com a tua atenção.
não estive lá, não estou aqui
continuas no teu caminho,
não sou forte, não sou capaz
de gritar o teu nome.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

...

eu tive a oportunidade de te largar
de te deixar escapar
de me esquecer das palavras
e desperdicei-a.
magoar-me com pormenores
voltar a acreditar no que sou
no que sempre fui.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

2016 II

era tudo tão intenso dantes e a vida seguia de uma maneira tão frenética que os anos passavam sem darmos por eles, percorriam os nossos dedos, as nossas mãos juvenis, o nosso coração taquicardíaco. tu surgiste no meio do caos e o silêncio que partilhávamos era o suficiente para colocar os pés na terra e voltar à sanidade. nunca pensei que a desordem de outrora voltasse. nunca pensei que as dúvidas e os anseios da pré-adolescência se manifestassem tão tarde.
este ano já não existes. o silêncio que agora partilhamos é consequência da distância, já não me puxas para a realidade mas ainda te oiço.
não sei reagir às tuas palavras. este ano reli o que me disseste. escrevo tudo para não me esquecer que há pessoas maiores que os nossos sentimentos. depois de procurar o que me marcou, voltei a ouvir essas mesmas frases e não... não sei o que escrever sobre o nó que se deu no meu cérebro. não sei o que permite que no espaço de uma semana te leia e te oiça.
e este foi o ano em que tanto à nossa volta (e em mim) morreu. tantas lágrimas pelo final. tanto tempo a pensar no final.
ainda hoje me pergunto se deveria ter cedido. se a vontade era tanta para quê adiar? mas arrasto-me e sei o que me espera e tu já reviraste os olhos. este ano olhei para ti. surpresa, cá estou passados estes anos todos, enterrada a mágoa, cá estou. tu foste porque quiseste e as tuas palavras ficaram, para que eu desconfie sempre de quem te repete, para que eu morra um pouco cá dentro quando sussurram o passado.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

2016 I

querer morrer abraçada ao meu corpo
sem pensar no dia de amanhã
o ano de morrer
ao levantar a cabeça e olhar-te,
ao escutar as tuas palavras,
ao confrontar as minhas falhas,
ao perder.
o ano de ter medo
da tua ausência e da tua presença,
do amor,
de mim, da noite, dos meus pesadelos.