quarta-feira, 6 de abril de 2016

recomeçar

as palavras têm fugido. aos poucos voltam, aparecem discretamente e exigem ser ouvidas. 
não sei o que será deste canto, mas vamos navegando. havemos de chegar a algum lado.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Apetece-me escrever.
Apetece-me escrever porque sim e tenho uma tela branca pronta a ser preenchida.
Não me posso dar a estes momentos que consomem demasiado de mim. Não sei se estou triste por ti ou para ti. "Diria" melhor se escrevesse não sei se a tristeza é a consequência da tua ausência ou se tu apenas surges nestes momentos, a flutuar no nada, a pairar no pensamento.
És uma oportunista. Sempre foste.
Não tens lugar de destaque, as luzes não estão viradas para ti mas arranjas maneira de aparecer.
Conta-me o teu segredo... És o quê? Como fazes? Tens mesmo existência física?
Desculpa-me a última pergunta mas acredito cada vez menos na tua existência. Ouvi dizer que o teu corpo passeia por aqui e por ali mas nunca o vejo. Vejo a tua sombra. Pelo menos gosto de pensar que sim.

Tenho isto para te dizer: que vie c'est le mot e a vida passa a correr. Que a palavra é cheia quando se tem muito, mas vazia quando nada se tem.
Qual é a piada de se esvaziar uma palavra? Tu lá saberás.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

da memória.

Há duas portas que não fecham.
Há demasiado barulho, lá em cima.
Não quero perder o meu chão,
Mas a tua força é maior que a minha.

Tudo estremece.

Sou eu. Eu sou o meu terramoto.
A minha fraqueza culpa-te.

No teu trono esculpido por anjos caídos
E línguas de ódio,
Preparas a mira para alvejar,
Que sem chão e sem força, o meu corpo não pode aguentar.

A tua auréola do passado
Está arrumada no pretérito imperfeito.
Ainda brilha, ainda sabe brilhar,
E sabe quem eras.

O passado nunca vai passar.

quinta-feira, 31 de março de 2011

avião.

Á tua passagem
Rasga-se o céu,
E a cicatriz
Lentamente se desvanece na paisagem.

Um dia, essas tuas passagens efémeras,
Deixarão de marcar.
A ferida já não sara,
E não podes ferir o que ainda está por cicatrizar.

Hás-de perceber que as tuas asas
Já não me cativam.
O teu voo não é único,
No universo dos que levitam.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

I don't know why I cry.

Eu era tão pequena e tu eras tão grande,
mas isso não interessava porque os sentimentos não escolhem idades.
Eu cresci e tu continuaste grande...e o sentimento ficou pequeno.

Eu tenho memórias que não consigo esquecer, eu oiço palavras que quero apagar, eu revolto-me e zango-me comigo mas, às vezes, eu só queria ter alguém a falar comigo como tu falavas.

Eu sei que é uma estupidez e eu não sei porque é que tenho saudades.
Eu sei que não quero falar contigo e eu não sei porque é que tenho saudades.
Há palavras que são como facadas. Eu não as quero ouvir mas elas insistem em ecoar.
Não, tu não gostas muito de mim, eu não te preocupo e eu não fui especial.