há silêncios usados como arma, sabias? ferem, afastam e, no pior dos casos, matam. por vezes, somos alvejados ciclicamente, e quando saramos as feridas e voltamos de lenço branco na mão, apelando à paz aparente em que vivíamos, somos recebidos de braços abertos com grandes festejos e discursos repletos de mentiras, nos quais acreditamos sempre.
se porventura esquecemos o que já passámos, surge alguém que nos faz lembrar todas as promessas, todas as palavras indesejadas, que as repete.
Repete aquela semana de silêncio. Renasce na primavera.
ela agradece a lembrança de março. já não tento ser delicada. soa melhor quando entregamos este pedaço da memória a seco. no resto do ano, nada. começou pelo silêncio, depois veio o desprezo e, por fim, o vazio.
não dói, não dói há muito. os dias são todos iguais, para nós. havemos de voltar aos dias em que não nos conhecíamos. havemos de apagar o que foi dito e o que foi escrito. ninguém se assemelhará a ti e, nesse momento, os silêncios terão justificação para além do teu veneno. para além do que me deixaste. a fé absoluta de que sou capaz de aborrecer o mais íntimo dos íntimos.
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