caíste na tarde. é pedir muito que acredites. se existisse um ser maior podias dedicar-lhe a vida. assim encostas-te à janela a fumar, a ser consumida pela inveja, tão feio!, a repetir para ti mesma que não há uma medida única, que nós somos o que fazemos, que podias estar em paz se te deixasses dessas merdas. no final do dia é tudo tão insignificante e tu fizeste a tua parte. tu fizeste o que achaste certo. é certo gostarmos das pessoas? é certo ser atencioso? é certo cuidar dos outros?
sabes que podias ser melhor. não tens de pensar que todo o mundo te deve... ninguém te deve nada. tu dás e isso é bom. coloca um sorriso na tua cara. pára de fumar.
volta à tua vida. dorme. recomeça e deixa de questionar. tudo é como deve ser. pára de dar. pára de dar. pára de perguntar e vai dormir.
"Aucun poème ne sera si grand, si noble, si véritablement digne du nom de poème, que celui qui aura été uniquement écrit pour le plaisir d’écrire un poème." Charles Baudelaire |||| "Há muitas marés que esperava por ti..." Romeu Correia
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
olha
eu não sei se vais ver que há um ano eu estava completamente embevecida. eu não sei se vais ver que eu tenho vergonha. eu não sei se vais ver que isto é o peso da mágoa, da timidez, de saber que sou tão transparente, para ti.
eu nunca consigo dizer nada do que quero. o chão sabe-o. fitei-o durante tanto tempo... o suficiente para me sentir mal comigo enquanto ele sussurrava olha em frente. mas eu não posso impedir as lágrimas, ouvir e olhar ao mesmo tempo... posso?
há dez anos eu era transparente e ela dizia olha para mim, Rita... levanta a cabeça e eu não era capaz. nunca sou, por muito que ralhe.
eu não sei se te vais lembrar. eu não sei se te vais lembrar de mim.
eu vou sempre gostar muito de ti. obrigada.
eu nunca consigo dizer nada do que quero. o chão sabe-o. fitei-o durante tanto tempo... o suficiente para me sentir mal comigo enquanto ele sussurrava olha em frente. mas eu não posso impedir as lágrimas, ouvir e olhar ao mesmo tempo... posso?
há dez anos eu era transparente e ela dizia olha para mim, Rita... levanta a cabeça e eu não era capaz. nunca sou, por muito que ralhe.
eu não sei se te vais lembrar. eu não sei se te vais lembrar de mim.
eu vou sempre gostar muito de ti. obrigada.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
...
lá estou eu a chorar com as tuas palavras.
eu só queria dizer não, não é isso, sou eu, eu sou a pior pessoa do mundo quando sou má, desculpa cruzar-me contigo, não quero ser mais uma pessoa que magoa, sou eu, não sejam meus amigos, não me falem, deixem-me sozinha, sou eu.
não me deixem gostar de vocês, eu não sei cuidar de corações, eu sou a melhor a destruir. basta verem o meu e afastarem-se. eu estou bem sozinha a magoar-me.
eu só queria dizer não, não é isso, sou eu, eu sou a pior pessoa do mundo quando sou má, desculpa cruzar-me contigo, não quero ser mais uma pessoa que magoa, sou eu, não sejam meus amigos, não me falem, deixem-me sozinha, sou eu.
não me deixem gostar de vocês, eu não sei cuidar de corações, eu sou a melhor a destruir. basta verem o meu e afastarem-se. eu estou bem sozinha a magoar-me.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
cogito
eu queria que soubesses que eu segui o teu conselho e tive das piores semanas da minha vida. haverão dias e semanas piores, claro. para ti, que és forte, provavelmente isto não seria nada. aguentarias de cabeça erguida, nunca chorarias e, no final da semana, dirias que a vida é boa, que tens tudo para agradecer.
eu não sou assim, não consigo ser forte como tu. e os dias têm sido lentos, sofridos, mais do que qualquer abismo que eu já tenha vislumbrado. sono, náusea, letargia. zombie.
segui o teu conselho e caí. e tu não estás aqui.
eu não sou assim, não consigo ser forte como tu. e os dias têm sido lentos, sofridos, mais do que qualquer abismo que eu já tenha vislumbrado. sono, náusea, letargia. zombie.
segui o teu conselho e caí. e tu não estás aqui.
domingo, 5 de fevereiro de 2017
devaneio
não quero dormir. quero castigar o meu corpo. quero gritar e vomitar o meu coração.
quero deixá-lo a bater no chão.
quero encharcar as mãos de sangue e sentir a vida sair do meu corpo, ficar parada a olhar para o tecto.
esboçar um sorriso por finalmente deixar de ser uma desilusão para todos.
assumir o fracasso.
e não chorar mais.
quero deixá-lo a bater no chão.
quero encharcar as mãos de sangue e sentir a vida sair do meu corpo, ficar parada a olhar para o tecto.
esboçar um sorriso por finalmente deixar de ser uma desilusão para todos.
assumir o fracasso.
e não chorar mais.
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