sexta-feira, 2 de novembro de 2018

#4

continuo à procura do livro que prometi dar-te. ele desapareceu, nem os alfarrabistas o encontram, e eu quero mesmo dar-to porque tu estás naquelas páginas.

tenho feito um esforço para não me apegar tanto, porque não quero ficar com medo. mas insisto em oferecer-te aquelas palavras.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

pavimento

chão em cacos afiados a rasgar a pele,
onde encontramos o abraço sentido,
apertando sempre mais na ânsia de doer
cada vez menos.

prefiro o teu reflexo embaçado,
na superfície brilhante que pisas
e nunca limpas. mas também
nunca voltas.








quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Sabes C.,
ontem falei com ela. foi um dia tão bonito, tão idílico, que eu quase desejei que ela tivesse lá estado. estavas tu, é verdade.
Ela diz-me que nem queria acreditar quando soube da novidade, e a minha tentação é responder que nem eu acredito ainda. foi um sonho, trago imagens fixas nas pálpebras, tenho breves momentos de cinema em mim, a contar-me como foi que as horas passaram.

Tu tens um bocado de mim preso em ti. E estavas lá.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

às vezes eu falo baixinho contigo
na escuridão
depois de falar com Deus.

será que estes sussurros poisam em ti
de noite  de madrugada
estás acordada?

domingo, 23 de setembro de 2018

#3, rascunho

fala tu.
eu esgoto com alguma rapidez as palavras, e de qualquer das maneiras nem sempre me entendes.
quando não me compreendes, é como se rasgasses parte das linhas que eu cosi com o teu nome, cá dentro, tão fundo, tão longe do toque. 
por isso, fala tu. diz o que quiseres, interpreta como quiseres, sê o que quiseres. deixa o meu bordado intacto.